sexta-feira, 9 de setembro de 2011

CHICO CÉSAR, um afrodescendente.

A redescoberta deste afrodescendente  fantástico do universo musical brasileiro foi para mim uma delícia: poesia de primeiríssima qualidade, humor e muito som bom. Não resisti e meti ele nos marcadores deste BLOG.




Mand'ela

Chico César

gastei minha sandália havaiana
andando atrás dessa baiana
mas a baiana me vaiou
eu disse que vim do senegal
montado num cavalo-de-pau
baiana me desmontou
olha que me queixo pro tutu
baiana deixa disso
vou reclamar pro bispo de tu
mand'ela vir
mand'ela aqui
mand'ela cá
mand'ela mand'ela
mand'ela mand'ela
eu disse que vim do cabo verde
mas ela me achou imaturo
mandou pra porto seguro
e agora tá indo a pé

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Introdução ao estudo das civilizações africanas


O estudo sobre a África exige estarmos atentos às diversas distorções colonialistas que a historiografia ocidental reservou ao continente.
Contrariando as diversas distorções racistas criadas ao longo dos últimos séculos, o estudo aprofundado sobre a  VERDADEIRA ÁFRICA desmente este olhar distorcido e revela a história dos verdadeiros ancestrais da humanidade, contribuintes ativos do desenvolvimento humano universal.
O Estudo da África não se limita a revisões referentes à história do africano e seus descendentes espalhados pelo mundo moderno, mas, sobretudo exige uma revisão de toda a história da humanidade.  Se por um lado não poderíamos entender a nossa sociedade sem conceber o legado grego para a edificação da civilização ocidental, por outro lado não é possível entender a Grécia sem considerarmos a ativa influência egípcia nesta sociedade.
Ao contrário do que afirma(va) as ideologias racistas, os africanos contribuíram para o desenvolvimento humano universal, desenvolvendo inclusive técnicas e conhecimentos essenciais para aperfeiçoarmos a nossas forças produtivas.
Trazer este debate para o ensino público exige, sobretudo, não nos resumirmos a montar uma roda de capoeira no dia 20 de novembro, mas pelo contrário  reconhecer a participação ativa dos africanos no desenvolvimento humano universal. A própria capoeira contém em si conhecimentos e signos profundamente ancorado na sabedoria ancestral (bantu) africana, conhecimentos estes que transcendem a dimensão lúdica de uma apresentação cultural pontual.
O desafio é imenso, mas existem ferramentas abundantes para oferecermos subsídios para um debate frutífero.
O vídeo abaixo (indicado por Vilma Neres)  revela evidências de como a HISTÓRIA do continente Africano foi distorcida para dar sustentação ideológica ao colonialismo. Ao mesmo tempo, o documentário desmente a idéia de que a CIVILIZAÇÃO  foi trazida ao continente pelos Europeus, mostrando diversos exemplos de riqueza social  e desenvolvimento civilizatório no continente.

Mas não devemos cair em armadilhas saudosistas… A ideologia SANKOFA  nos ensina a olhar o passado não para repeti-lo, mas para aprender com os erros e acertos de nossos ancestrais, desenvolvendo a nossa história ao “tirar poesia do futuro”!!!
É movido por problemas do presente que (re)visitamos a história dos africanos e de seus descendentes, buscando “recuperar” nossa humanidade “subtraída” pelos séculos de escravismo e racismo. O Racismo permanece vivo e atualizado pelo desenvolvimento das relações de produção capitalistas contemporâneas exigindo novamente que pensemos a história dos africanos e de seus descendentes articulada aos conflitos da humanidade como um todo.
Aprendem-se na Capoeira de Angola que somos nós os responsáveis por nossa história e que, portanto, frente às ofensivas da vida cabe a nós mesmos buscar a emancipação. Talvez seja esta a principal mensagem que a Lei 10.639/03 (ou 11.645/08) deve enfatizar ao olhar para o passado de glória das civilizações africanas: o fato de que este legado nos oferece subsídios para lutar no presente em busca de um futuro melhor.
Deivison Nkosi – Professor de História da África

Dica da Mariana, pesquisadora e mãe da estudantes Helena (5ª série da tarde)

LIVROS EM NOSSA BIBLIOTECA

Temática africana

Os livros abaixo são algumas das sugestões de leitura de autores e temas africanos, e estão disponíveis na biblioteca da escola.




Os da minha rua, de Ondjaki








Cada homem é uma raça, de Mia Couto











Histórias abensonhadas, de Mia Couto










Os príncipes do destino, de Reginaldo Prandi











Histórias de Ananse, 

de Adwoa Badoe e Baba Wagué Diakité









O menino marrom, de Ziraldo










O homem que não podia olhar para trás, 

de Nelson Salute








A escravidão no Brasil colonial, 

de Glória Porto Kok










A história dos escravos, 

de Isabel Lustosa








O pássaro-da-chuva, 

de Monique Bermond









Gostando mais de nós mesmos, 

de diversos autores








As idéias racistas, os negros e a educação, 

de diversos autores







O Negro da chibata, de Fernando Granato










Saruê, Zambi!, de Luiz Galdino








Racismo cordial, Folha de São Paulo









Na terra dos Orixás, de Ganymédes José









A semente que veio da África, 

de Heloisa Pires Lima










Zungunga, de Floro Freitas de Andrade









O beijo da palavrinha, 

de Mia Couto.








Um safári na Tanzânia, 

de Laurie Krebs e Julia Cairns









O príncipe corajoso e 

outras histórias da Etiópia, 

de Praline Gay-Para?










José Moçambique e a capoeira, 

de Joaquim de Almeida, 

Laurabeatriz e Thereza Almeida









O filho do vento, 

de José Eduardo Agualusa










Cadê você, Jamela?, de Niki Daly











O que tem na panela, Jamela?, 

de Niki Daly











O chamado de Sosu, de Meshack Asare




,






Yemanjá, de Carolina Cunha











As aventuras de Ngunga, de Pepetela







quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A Construção da Igualdade_DOCUMENTÁRIO




"A Construção da Igualdade -- História da Resistência Negra no Brasil", o vídeo contribui na a aplicação da Lei nº 10.639, que torna obrigatória a inclusão, no currículo das escolas, o estudo da História da África e Cultura Afro-brasileira. Trás depoimentos de acadêmicos, escritores, artistas em geral e ações do movimento negro.

REVOLTA DA CHIBATA_CANÇÃO_MESTRE-SALA DOS MARES


MÚSICA DE JOÃO BOSCO E ALDIR BLANCI
EM HOMENAGEM A REVOLTA DA CHIBATA

Mestre-Sala dos Mares", de João Bosco e Aldir Blanc, composto nos anos 70, imortalizou João Cândido e a Revolta da Chibata. Como diz a música, seu monumento estará para sempre "nas pedras pisadas do cais". A mensagem de coragem e liberdade do "Almirante Negro" e seus companheiros resiste.


O Mestre Sala dos Mares
(João Bosco / Aldir Blanc)
(letra original sem censura)

Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo marinheiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como o almirante negro
Tinha a dignidade de um mestre sala
E ao navegar pelo mar com seu bloco de fragatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Rubras cascatas jorravam das costas
dos negros pelas pontas das chibatas
Inundando o coração de toda tripulação
Que a exemplo do marinheiro gritava então
Glória aos piratas, às mulatas, às sereias
Glória à farofa, à cachaça, às baleias
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história
Não esquecemos jamais
Salve o almirante negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais
Mas faz muito tempo
O Mestre Sala dos Mares
(João Bosco / Aldir Blanc)
(censura durante ditadura militar)

Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo feiticeiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como o navegante negro
Tinha a dignidade de um mestre sala
E ao acenar pelo mar na alegria das regatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Rubras cascatas jorravam das costas
dos santos entre cantos e chibatas
Inundando o coração do pessoal do porão
Que a exemplo do feiticeiro gritava então
Glória aos piratas, às mulatas, às sereias
Glória à farofa, à cachaça, às baleias
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história
Não esquecemos jamais
Salve o navegante negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais
Mas faz muito tempo


 fonte: CLIQUE AQUI


Baseado em uma história real, "A Revolta da Chibata" conta a história de João Cândido. Curta feito por uma turma (2332 - ano 2007) da Escola Técnica Estadual Henrique Lage - Niterói - RJ

Canções temáticas

Vou postar aqui algumas canções que tenho pesquisado acerca da temática.



Canção interpretada por Nei Matogrosso


INCLASSIFICÁVEIS_ Arnaldo Antunes E CHICO SCIENCE

Inclassificáveis

Arnaldo Antunes

que preto, que branco, que índio o quê?
que branco, que índio , que preto o quê?
que índio, que preto, que branco o quê?

que preto branco índio o quê?
branco índio preto o quê?
índio preto branco o quê?

aqui somos mestiços mulatos
cafuzos pardos mamelucos sararás
crilouros guaranisseis e judárabes

orientupis orientupis
ameriquítalos luso nipo caboclos
orientupis orientupis
iberibárbaros indo ciganagôs

somos o que somos
inclassificáveis

não tem um, tem dois,
não tem dois, tem três,
não tem lei, tem leis,
não tem vez, tem vezes,
não tem deus, tem deuses,

não há sol a sós

aqui somos mestiços mulatos
cafuzos pardos tapuias tupinamboclos
americarataís yorubárbaros.

somos o que somos
inclassificáveis

que preto, que branco, que índio o quê?
que branco, que índio , que preto o quê?
que índio, que preto, que branco o quê?

não tem um, tem dois,
não tem dois, tem três,
não tem lei, tem leis,
não tem vez, tem vezes,
não tem deus, tem deuses,
não tem cor, tem cores,

não há sol a sós

egipciganos tupinamboclos
yorubárbaros carataís
caribocarijós orientapuias
mamemulatos tropicaburés
chibarrosados mesticigenados
oxigenados debaixo do sol



Clique aqui para ouvir a mesma canção na interpretação de Arnaldo Antunes.

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CHICO REI_SAMBA ENREDO DA ESCOLA DE SAMBA DO SALGUEIRO DE 1964

Vivia no litoral africano
Uma régia tribo ordeira cujo rei era símbolo
De uma terra laboriosa e hospitaleira
Um dia, essa tranqüilidade sucumbiu
Quando os portugueses invadiram
Capturando homens
Para fazê-los escravos no Brasil
Na viagem agonizante
Houve gritos alucinantes
lamentos de dor
Ô, ô, ô adeus, Baobá, ô, ô, ô
Ô, ô, ô adeus, meu Bengo, eu já vou

Ao longe, Minas jamais ouvia
Quando o rei mais confiante
Jurou à sua gente que um dia os libertaria
Chegando ao Rio de Janeiro
No mercado de escravos
Um rico fidalgo os comprou
E para Vila Rica os levou
A idéia do rei foi genial
Esconder o pó de ouro entre os cabelos
Assim fez seu pessoal
Todas as noites quando das minas regressavam
Iam à igreja e suas cabeças banhavam
Era o ouro depositado na pia
E guardado em outro lugar com garantia
Até completar a importância
Para comprar suas alforrias
Foram libertos cada um por sua vez
E assim foi que o rei
Sob o sol da liberdade trabalhou
E um pouco de terra ele comprou
Descobrindo ouro enriqueceu
Escolheu o nome de Francisco
E ao catolicismo se converteu
No ponto mais alto da cidade, Chico Rei
Com seu espírito de luz
Mandou construir uma igreja
E a denominou
Santa Efigênia do Alto da Cruz 


 
  06 - Chico Rei (Salgueiro 1964) by AMORIMLIMALE na voz de Martinho da Vila
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Respeitem Meus Cabelos, Brancos
Chico César

Respeitem meus cabelos, brancos
Chegou a hora de falar
Vamos ser francos
Pois quando um preto fala
O branco cala ou deixa a sala
Com veludo nos tamancos
Cabelo veio da áfrica
Junto com meus santos

Benguelas, zulus, gêges
Rebolos, bundos, bantos
Batuques, toques, mandingas
Danças, tranças, cantos
Respeitem meus cabelos, brancos

Se eu quero pixaim, deixa
Se eu quero enrolar, deixa
Se eu quero colorir, deixa
Se eu quero assanhar, deixa
Deixa, deixa a madeixa balançar


 
  Chico César - Respeitem meus cabelos brancos by AMORIMLIMALE

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Cabelo Duro

Itamar Assumpção

Eu tenho cabelo duro
Mas não o miolo mole
Sou afro brasileiro puro
É mulata minha prole
Não vivo em cima do muro
Da canga meu som me abole
Desaforo eu não engulo
Comigo é o freguês que escolhe
Sushi com chuchu misturo
Quibebe com raviole
Chopp claro com escuro
Empada com rocambole
Tudo que é falso esconjuro
Seja flerte ou love story
Quanto a ter porto seguro
Tem sempre alguém que me acolhe
É com ervas que me curo
Caso algum tombo me esfole
Em se tratando de apuro
Meu pai Xangô me socorre
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