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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
GENI GUIMARÃES_mulher,negra,artista
Nascia
Um belo dia,
emoção forte me causou vertigem,
mamei minha mãe na fonte
de leite fiz um verso virgem.
Dos rios mastiguei os córregos
dos sóis sorvi dourados bicos
tomei do alfabeto, os símbolos
com eles fiz um verso rico.
Mas, da primeira cobra
armada em botes,
aprendi as contorções molengas
tomei da angustia, vida fluída
ri um verso duro, capenga.
Sou hoje colheita descoberta
dos amores de auroras nas fazendas,
extração dos capitães de mato
e dos de Areia do Jorge.
Explico então:
o poeta é um bicho de seda...
que explode
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Caixa tira do ar anúncio que retrata Machado de Assis como branco
por William Maia, do Última Instância, dica de Luana Tolentino
A Caixa Econômica Federal suspendeu a veiculação de uma campanha publicitária sobre os 150 anos do banco que retrata o escritor Machado de Assis como um homem branco. A decisão veio após protestos na Internet e um pedido formal da Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), órgão do governo federal com status de ministério.
O comercial criado pela agência Borghierh/Lowe viaja no tempo para mostrar que até os “imortais” foram correntistas do banco público. O problema é que o ator que representa o fundador da Academia Brasileira de Letras e autor de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” é branco, sendo que o escritor era mulato.
Na nota oficial em que anuncia a interrupção da propaganda, a Caixa “pede desculpas a toda a população e, em especial, aos movimentos ligados às causas raciais, por não ter caracterizado o escritor, que era afro-brasileiro, com a sua origem racial”.
Nesta segunda-feira, também em comunicado oficial, a Seppir classificou como “uma solução publicitária de todo inadequada” a escolha de um ator branco para interpretar Machado, por “por contribuir para a invisibilização dos afro-brasileiros, distorcendo evidências pessoais e coletivas relevantes para a compreensão da personalidade literária de Machado de Assis, de sua obra e seu contexto histórico”.
Além de pedir a suspensão do anúncio, a Seppir encaminhou pedidos de providencias ao Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e o Ministério Público Federal.
Leia abaixo a íntegra do comunicado da Caixa:
A Caixa Econômica F ederal informa que suspendeu a veiculação de sua última peça publicitária, a qual teve como personagem o escritor Machado de Assis. O banco pede desculpas a toda a população e, em especial, aos movimentos ligados às causas raciais, por não ter caracterizado o escritor, que era afro-brasileiro, com a sua origem racial.
A CAIXA reafirma que, nos seus 150 anos de existência, sempre buscou retratar, em suas peças publicitárias, toda a diversidade racial que caracteriza o nosso país. Esta política pode ser reconhecida em muitas das ações de comunicação, algumas realizadas em parceria e com o apoio dos movimentos sociais e da Secretaria de Política e Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) do Governo Federal.
A CAIXA nasceu coma missão de ser o banco de todos, e jamais fez distinção entre pobres, ricos, brancos, negros, índios, homens, mulheres, jovens, idosos ou qualquer outra diferença social ou racial.
Leia também:
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
A Construção da Igualdade_DOCUMENTÁRIO
REVOLTA DA CHIBATA_CANÇÃO_MESTRE-SALA DOS MARES
MÚSICA DE JOÃO BOSCO E ALDIR BLANCI
EM HOMENAGEM A REVOLTA DA CHIBATA
Mestre-Sala dos Mares", de João Bosco e Aldir Blanc, composto nos anos 70, imortalizou João Cândido e a Revolta da Chibata. Como diz a música, seu monumento estará para sempre "nas pedras pisadas do cais". A mensagem de coragem e liberdade do "Almirante Negro" e seus companheiros resiste.
O Mestre Sala dos Mares
(João Bosco / Aldir Blanc)
(letra original sem censura)
Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo marinheiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como o almirante negro
Tinha a dignidade de um mestre sala
E ao navegar pelo mar com seu bloco de
fragatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Rubras cascatas jorravam das costas
dos negros pelas pontas das chibatas
Inundando o coração de toda tripulação
Que a exemplo do marinheiro gritava então
Glória aos piratas, às mulatas, às sereias
Glória à farofa, à cachaça, às baleias
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história
Não esquecemos jamais
Salve o almirante negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais
Mas faz muito tempo
|
O Mestre Sala dos Mares
(João Bosco / Aldir Blanc)
(censura durante ditadura militar)
Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo feiticeiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como o navegante negro
Tinha a dignidade de um mestre sala
E ao acenar pelo mar na alegria das regatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Rubras cascatas jorravam das costas
dos santos entre cantos e chibatas
Inundando o coração do pessoal do porão
Que a exemplo do feiticeiro gritava então
Glória aos piratas, às mulatas, às sereias
Glória à farofa, à cachaça, às baleias
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história
Não esquecemos jamais
Salve o navegante negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais
Mas faz muito tempo
|
fonte: CLIQUE AQUI
Canções temáticas
Vou postar aqui algumas canções que tenho pesquisado acerca da temática.
que preto, que branco, que índio o quê?
que branco, que índio , que preto o quê?
que índio, que preto, que branco o quê?
que preto branco índio o quê?
branco índio preto o quê?
índio preto branco o quê?
aqui somos mestiços mulatos
cafuzos pardos mamelucos sararás
crilouros guaranisseis e judárabes
orientupis orientupis
ameriquítalos luso nipo caboclos
orientupis orientupis
iberibárbaros indo ciganagôs
somos o que somos
inclassificáveis
não tem um, tem dois,
não tem dois, tem três,
não tem lei, tem leis,
não tem vez, tem vezes,
não tem deus, tem deuses,
não há sol a sós
aqui somos mestiços mulatos
cafuzos pardos tapuias tupinamboclos
americarataís yorubárbaros.
somos o que somos
inclassificáveis
que preto, que branco, que índio o quê?
que branco, que índio , que preto o quê?
que índio, que preto, que branco o quê?
não tem um, tem dois,
não tem dois, tem três,
não tem lei, tem leis,
não tem vez, tem vezes,
não tem deus, tem deuses,
não tem cor, tem cores,
não há sol a sós
egipciganos tupinamboclos
yorubárbaros carataís
caribocarijós orientapuias
mamemulatos tropicaburés
chibarrosados mesticigenados
oxigenados debaixo do sol
Canção interpretada por Nei Matogrosso
INCLASSIFICÁVEIS_ Arnaldo Antunes E
CHICO SCIENCE
Inclassificáveis
Arnaldo Antunesque preto, que branco, que índio o quê?
que branco, que índio , que preto o quê?
que índio, que preto, que branco o quê?
que preto branco índio o quê?
branco índio preto o quê?
índio preto branco o quê?
aqui somos mestiços mulatos
cafuzos pardos mamelucos sararás
crilouros guaranisseis e judárabes
orientupis orientupis
ameriquítalos luso nipo caboclos
orientupis orientupis
iberibárbaros indo ciganagôs
somos o que somos
inclassificáveis
não tem um, tem dois,
não tem dois, tem três,
não tem lei, tem leis,
não tem vez, tem vezes,
não tem deus, tem deuses,
não há sol a sós
aqui somos mestiços mulatos
cafuzos pardos tapuias tupinamboclos
americarataís yorubárbaros.
somos o que somos
inclassificáveis
que preto, que branco, que índio o quê?
que branco, que índio , que preto o quê?
que índio, que preto, que branco o quê?
não tem um, tem dois,
não tem dois, tem três,
não tem lei, tem leis,
não tem vez, tem vezes,
não tem deus, tem deuses,
não tem cor, tem cores,
não há sol a sós
egipciganos tupinamboclos
yorubárbaros carataís
caribocarijós orientapuias
mamemulatos tropicaburés
chibarrosados mesticigenados
oxigenados debaixo do sol
Clique aqui para ouvir a mesma canção na interpretação de Arnaldo Antunes.
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CHICO REI_SAMBA ENREDO DA ESCOLA DE SAMBA DO SALGUEIRO DE 1964
(Geraldo Babão / Djalma Sabiá / Binha)
Vivia no litoral africano
Uma régia tribo ordeira cujo rei era símbolo
De uma terra laboriosa e hospitaleira
Um dia, essa tranqüilidade sucumbiu
Quando os portugueses invadiram
Capturando homens
Para fazê-los escravos no Brasil
Na viagem agonizante
Houve gritos alucinantes
lamentos de dor
Ô, ô, ô adeus, Baobá, ô, ô, ô
Ô, ô, ô adeus, meu Bengo, eu já vou
Ao longe, Minas jamais ouvia
Quando o rei mais confiante
Jurou à sua gente que um dia os libertaria
Chegando ao Rio de Janeiro
No mercado de escravos
Um rico fidalgo os comprou
E para Vila Rica os levou
A idéia do rei foi genial
Esconder o pó de ouro entre os cabelos
Assim fez seu pessoal
Todas as noites quando das minas regressavam
Iam à igreja e suas cabeças banhavam
Era o ouro depositado na pia
E guardado em outro lugar com garantia
Até completar a importância
Para comprar suas alforrias
Foram libertos cada um por sua vez
E assim foi que o rei
Sob o sol da liberdade trabalhou
E um pouco de terra ele comprou
Descobrindo ouro enriqueceu
Escolheu o nome de Francisco
E ao catolicismo se converteu
No ponto mais alto da cidade, Chico Rei
Com seu espírito de luz
Mandou construir uma igreja
E a denominou
Santa Efigênia do Alto da Cruz
Uma régia tribo ordeira cujo rei era símbolo
De uma terra laboriosa e hospitaleira
Um dia, essa tranqüilidade sucumbiu
Quando os portugueses invadiram
Capturando homens
Para fazê-los escravos no Brasil
Na viagem agonizante
Houve gritos alucinantes
lamentos de dor
Ô, ô, ô adeus, Baobá, ô, ô, ô
Ô, ô, ô adeus, meu Bengo, eu já vou
Ao longe, Minas jamais ouvia
Quando o rei mais confiante
Jurou à sua gente que um dia os libertaria
Chegando ao Rio de Janeiro
No mercado de escravos
Um rico fidalgo os comprou
E para Vila Rica os levou
A idéia do rei foi genial
Esconder o pó de ouro entre os cabelos
Assim fez seu pessoal
Todas as noites quando das minas regressavam
Iam à igreja e suas cabeças banhavam
Era o ouro depositado na pia
E guardado em outro lugar com garantia
Até completar a importância
Para comprar suas alforrias
Foram libertos cada um por sua vez
E assim foi que o rei
Sob o sol da liberdade trabalhou
E um pouco de terra ele comprou
Descobrindo ouro enriqueceu
Escolheu o nome de Francisco
E ao catolicismo se converteu
No ponto mais alto da cidade, Chico Rei
Com seu espírito de luz
Mandou construir uma igreja
E a denominou
Santa Efigênia do Alto da Cruz
06 - Chico Rei (Salgueiro 1964) by AMORIMLIMALE na voz de Martinho da Vila
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Respeitem Meus Cabelos, Brancos
Chico
César
Respeitem
meus cabelos, brancos
Chegou
a hora de falar
Vamos
ser francos
Pois
quando um preto fala
O
branco cala ou deixa a sala
Com
veludo nos tamancos
Cabelo
veio da áfrica
Junto
com meus santos
Benguelas,
zulus, gêges
Rebolos,
bundos, bantos
Batuques,
toques, mandingas
Danças,
tranças, cantos
Respeitem
meus cabelos, brancos
Se
eu quero pixaim, deixa
Se
eu quero enrolar, deixa
Se
eu quero colorir, deixa
Se
eu quero assanhar, deixa
Deixa,
deixa a madeixa balançar
Chico César - Respeitem meus cabelos brancos by AMORIMLIMALE
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Cabelo Duro
Itamar Assumpção
Eu tenho cabelo duro
Mas não o miolo mole
Sou afro brasileiro puro
É mulata minha prole
Não vivo em cima do muro
Da canga meu som me abole
Desaforo eu não engulo
Comigo é o freguês que escolhe
Sushi com chuchu misturo
Quibebe com raviole
Chopp claro com escuro
Empada com rocambole
Tudo que é falso esconjuro
Seja flerte ou love story
Quanto a ter porto seguro
Tem sempre alguém que me acolhe
É com ervas que me curo
Caso algum tombo me esfole
Em se tratando de apuro
Meu pai Xangô me socorre
Mas não o miolo mole
Sou afro brasileiro puro
É mulata minha prole
Não vivo em cima do muro
Da canga meu som me abole
Desaforo eu não engulo
Comigo é o freguês que escolhe
Sushi com chuchu misturo
Quibebe com raviole
Chopp claro com escuro
Empada com rocambole
Tudo que é falso esconjuro
Seja flerte ou love story
Quanto a ter porto seguro
Tem sempre alguém que me acolhe
É com ervas que me curo
Caso algum tombo me esfole
Em se tratando de apuro
Meu pai Xangô me socorre
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quarta-feira, 17 de agosto de 2011
HERÓIS DE TODO MUNDO
HERÓIS DE TODO MUNDO
Não, não é uma série sobre o Super-homem ou o Batman. Heróis de todo mundo é uma série de interprogramas que quer mostrar ao público comum que aqui mesmo, no Brasil, existem Heróis. Heróis porque quebraram barreiras, que venceram apesar dos enormes obstáculos enfrentados, que lutaram por uma vida melhor para todos. Ah! E são negros. Biografia de personagens negros, interpretados por artistas negros. Imperfível!!!!
http://www.acordacultura.org.br/herois/herois-lista2
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Negro é lindo: algumas das principais modelos negras da história da moda
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Naomi Sims, a primeira top model negra |
Clique aqui e connfira outras beldades negras do mundo da moda.
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Beverly Johnson, a primeira capa da Vogue Ameria em 74 |
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
QUILOMBO
A primeira definição de quilombo data de 1740, reportada pelo Conselho Ultramarino ao rei de Portugal, e é a que se mantém mais forte até os dias atuais no senso-comum: toda habitação de negros fugidos, que passem de cinco, em parte despovoada. O quilombo era visto, então, como algo do passado, em área isolada e formado exclusivamente por escravos tentando fugir do sistema de escravidão. Porém, à época da abolição, os negros habitaram territórios rurais desocupados, mantiveram-se nas terras de seus antigos donos e, ainda, compraram ou receberam terras como pagamento por serviços prestados ao Estado. E estes diferentes grupos, junto aos fugitivos, deram origem às comunidades quilombolas.
NAVIO NEGREIRO
Com imagens do filme Amistad, realizado por Steven Spielberg. Escute Tragédia no mar (ou O navio negreiro) de Castro Alves, na voz de Paulo Autran.
O poeta Castro Alves escreveu O navio negreiro aos 22 anos, em 1869. A lei Eusébio de Queirós, que proibia o tráfico de escravos, fora promulgada quase vinte anos antes. Cada parte do poema tem métrica própria, de maneira que o ritmo de cada estrofe retrata a situação apresentada nela.
O poeta Castro Alves escreveu O navio negreiro aos 22 anos, em 1869. A lei Eusébio de Queirós, que proibia o tráfico de escravos, fora promulgada quase vinte anos antes. Cada parte do poema tem métrica própria, de maneira que o ritmo de cada estrofe retrata a situação apresentada nela.
BIOGRAFIA DE MAHOMMAH G. BAQUAQUA
Mahommah Gardo Bhaquaqua.
Biography of Mahommah G. Baquaqua.
A native, of Zoogoo, in the interiro of Africa.
Edited by Samuel Moere, Esq. (Detroit: GeorgeE. Pomery and co., Tribune.
Biography of Mahommah G. Baquaqua.
A native, of Zoogoo, in the interiro of Africa.
Edited by Samuel Moere, Esq. (Detroit: GeorgeE. Pomery and co., Tribune.
Office, 1854) pp. 40·57).
Tradução: Sonil Nusscnzweig.
Tradução: Sonil Nusscnzweig.
Revista Brasileira de História, V 8, N 16, ANPUH/ Marco Zero, 1989.
O texto da biografia de Mahommah G. Baquaqua.
Trata-se de um ex-escravo, sua vida na África, sua escravização e transporte para o Brasil, de suas experiências como escravo em Pernambuco junto a um padeiro, sua venda para o capitão de um navio que viajava até o Rio Grande do Sul, sua viagem até os Estados Unidos, da fuga para conseguir a liberdade, sua viagem ao Haiti, uma viagem de volta aos Estados Unidos e daí para o Canadá; a narrativa de uma vida extraordinária que também traz dados extraordinários sobre as experiências escravas no Brasil e nas Américas. Um documento raro, especialmente se pensamos na escassez de testemunhos escravos diretos sobre a escravidão no Brasil. Esclareço que este texto foi publicado em Detroit em 1854. Escrito na primeira e na terceira pessoa, pois o relato foi compilado e editado por Samuel Moore, engajado na luta abolicionista. Os limites desta revista. ( 269)
O barco em que os escravos foram colocados era grande e impulsionado por remos, embora também tivesse velas. No entanto, como o vento não era suficientemente forte, tinha-se que usar também os remos. Estávamos há duas noites e um dia nesse rio, quando chegamos a um lugar muito bonito, cujo nome não me lembro.
Por fim, quando chegamos à praia, e estávamos em pé na areia , oh! como eu desejei que a areia se abrisse e me engolisse. Não sou capaz de descrever minha desolação. O leitor pode imaginar, mas qualquer coisa parecida com um esboço de meus sentimentos não seria, nem de longe, um retrato fiel.
Escravos vindos de todas as partes do território estavam ali e foram embarcados, o primeiro barco alcançou o navio em segurança, apesar do vento forte e do mar agitado; O próximo a se aventurar, porém, emborcou e todos se afogaram, com exceção de um homem. Ao todo, trinta pessoas morreram. O homem que se salvou era muito corpulento e conseguiu se elevar a proa. Ele tinha uma corrente na mão, que agarrava com muita força, procurando equilibrar O barco. Quando O barco virou, ele foi lançado 30 mar com os outros. Mas, subindo à superfície de algum jeito embaixo do barco, ele conseguiu revirá-lo. Assim, salvou-se saltando para dentro do barco quando este se endireitou. Isso exigiu muita força, e o fato de ser um homem vigoroso lhe deu vantagem sobre os demais. Fui colocado no próximo barco que seguiu rumo ao navio. Mas Deus houve por bem me poupar, mais uma vez por alguma boa razão. Fui colocado no mais horrível de todos os lugares. (P 271)
Durante minha viagem no navio negreiro. consegui aprender um pouco de português com aqueles homens que mencionei antes e, como meu senhor era um português. podia compreender muito bem o que ele queria e lhe dei a entender que faria tudo o que ele precisava, bem quanto me fosse possível, e ele pareceu bastante satisfeito com isso.
A única comida que tivemos durante a viagem foi milho velho cozida. Não posso dizer quanto tempo ficamos confinados assim, mas pareceu ser muito tempo. Sofríamos muito por falta de água que nos era negada na medida de nossas necessidades. Um quartilha por dia era tudo que nas permitido e nada mais. Muitos escravos morreram no percurso. 272
“O Navio Negreiro. Seus horrores. ah! quem pode descrever? Ninguém pode retratar seus horrores tão fielmente como o pobre desventurado, o miserável desgraçado, que lenha sido confinado em seus portais. Oh amigos da humanidade tenham piedade do pobre africano, alijado e afastado de seus amigos e de seu lar. ao ser vendido e depositado nos porões de um navio negreiro.”
Sim. até mesmo entre eles. Mas. vamos ao navio! Fomos arremessados, nus, porão adentro. os homens apinhados de lado e as mulheres do outro. O porão era tão baixo que não podíamos ficar em pé. éramos obrigados a nos agachar ou a sentar no chão. Noite e dia eram iguais para nós. o sono nos sendo negado devido ao confinamento de nossos corpos. Ficamos desesperados com o sofrimento e a fadiga..
Oh! a repugnância e a imundície daquele lugar horrível nunca serão apagadas de minha memória. Não: enquanto a memória mantiver seu posto nesse cérebro distraído, lembrarei daquilo.
Nosso sofrimento era da nossa conta não tínhamos ninguém com quem pudéssemos compartilhá-lo, ninguém para cuidar de nós ou até mesmo nos dizer alguma palavra de conforto. Alguns foram jogados ao mar antes que seus corpos exalasse o ultimo suspiro. Quando supunham que alguém não iria sobreviver, era assim que se livravam.
P 272
Chegamos em Pernambuco, América do Sul. de manha cedo e o navio ficou zanzando durante o dia sem lançar âncora. Ficamos sem comida e sem bebida o dia inteiro e nos foi dado a entender que deveríamos permanecer em silêncio absoluto, sem clamor algum senão nossas vidas estariam em perigo.
Em breve me puseram para trabalhar pesado, trabalho a que ninguém é submetido, a não ser escravos e cavalos. Quando este homem me comprou, ele estava construindo uma casa. Era necessário buscar pedras para a construção a um distancia considerável, do outro lado do rio, e fui forçado a carregá-las. Eram tão pesadas que três homens foram incumbidos de erguê-las e colocá-las sobre minha cabeça. fardo que era obrigado a sustentar por pelo menos um quarto de milha, até o local onde se encontrava o barco. Às vezes, a pedra exercia tanta pressão sobre minha cabeça que era obrigado a joga-la no chão. Meu senhor ficava bravo quando isso acontecia e costumava dizer que o cassoori “(cachorro)" havia jogado a pedra no chão enquanto eu, no íntimo, pensava que ele é que era o pior cachorro; mas era apenas um pensamento ,já que não ousava expressa-lo em palavras.
273
Regularmente orações com a família duas vezes por dia. mais ou menos da seguinte maneira: Ele tinha um grande relógio na entrada de sua casa dentro do qual havia algumas imagens feitas de barro, que eram utilizadas no culto.
Nós todos tínhamos que nos ajoelhar diante delas; a família na frente e os escravos atrás. Fomos ensinados a entoar algumas palavras cujo significado não sabíamos. Também tínhamos que fazer o sinal da cruz diversas vezes. Enquanto orava, meu senhor segurava um chicote na mão e aqueles que mostravam sinais de desatenção ou sonolência eram prontamente trazidos à consciência pelo toque ardido do chicote. Esta era principalmente a sina das escravas, que adormeciam apesar das imagens, das persignações e de outros divertimentos semelhantes.
As coisas iam de mal a pior e eu andava muito ansioso por trocar de senhor, então tentei fugir mas logo fui apanhado, atado e restituído a ele.
Em seguida, tentei ver o que me aconteceria se fosse desleal e indolente. Assim, um dia, quando me mandaram vender pão como de costume, vendi apenas uma pequena quantia e, com o dinheiro que recebi, comprei uísque e bebi à vontade, voltando para casa bastante embriagado. Quando fui fazer as contas da diária. meu senhor pegou minha cesta e descobrindo o estado em que as coisas estavam, fui muito severamente espancado. Eu disse a ele que não deveria mais me açoitar e fiquei com tanta raiva que me veio à cabeça a idéia de matá-lo e, em seguida, suicidar-me. Por fim, resolvi me afogar.
Preferia morrer do que viver sendo um escravo. Corri então até o rio e me joguei na água mas, como fui visto por algumas pessoas que estavam em um barco, fui salvo. A maré estava baixa, senão seus esforços seriam provavelmente sido inúteis.(...)
CLIQUE AQUI PARA BAIXAR O TEXTO EM PDF NA ÍNTEGRA
LIVROS, LIVROS, LIVROS_dicas da Cleide
A ÁFRICA ESTÁ ENTRE NÓS - Coleção dos Livros sobre o assunto para o Ensino Fundamental do Governo Federal.
LIVRO 1 - ÁFRICA ESTÁ ENTRE NÓS
LIVRO 2 - ÁFRICA ESTÁ ENTRE NÓS
LIVRO 3 - ÁFRICA ESTÁ ENTRE NÓS
PRINCESAS AFRICANAS Arquivo em PDF
JOGOS INFANTIS AFRICANOS Apostila em PDF com vários jogos infantis africanos
CORPO: SOM E MOVIMENTO Redescobrindo Brinquedos Cantados na Africanidade Brasileira
Artigo publicado na revista África e africanidades em PDF
MEUS CONTOS AFRICANOS - Nelson Mandela -
LIVRO 1 - ÁFRICA ESTÁ ENTRE NÓS
LIVRO 2 - ÁFRICA ESTÁ ENTRE NÓS
LIVRO 3 - ÁFRICA ESTÁ ENTRE NÓS
PRINCESAS AFRICANAS Arquivo em PDF
JOGOS INFANTIS AFRICANOS Apostila em PDF com vários jogos infantis africanos
CORPO: SOM E MOVIMENTO Redescobrindo Brinquedos Cantados na Africanidade Brasileira
Artigo publicado na revista África e africanidades em PDF
MEUS CONTOS AFRICANOS - Nelson Mandela -
ESTEREÓTIPOS CULTURAIS
Este desenho foi feito espontaneamente por uma estudante da 5ª série no momento de uma discussão acerca do que é afrodescendência e cultura afro brasileira. Alguém quer comentá-lo?
terça-feira, 9 de agosto de 2011
BISPO DO ROSÁRIO
Arthur Bispo do Rosário - sergipano de origem simples, vítima de esquizofrenia, que viveu assombrado por misticismos e alucinações nas instituições psiquiátricas pelas quais passou, entre 1938 e 1989, ano de sua morte. Durante seus períodos de clausura na Colônia Juliano Moreira (Rio de Janeiro), onde viveu por 50 anos, não consecutivos, Bispo do Rosário produziu um acervo de bordados, estandartes e assemblages que hoje têm sua relevância reconhecida no contexto histórico da arte brasileira e no cenário internacional das artes plásticas.
Um grande artista negro. Um louco!!! Ou louco somos nós?!
Precisamos estudar esse cara! Esse é um bom momento.
Há um documentário sobre ele: "O senhor do labirinto", mas não sei como conseguir. Alguém sabe?
Segue dois links interessantes sobre ele.
REVOLTA DA CHIBATA
VALE A PENA VER ESSE VIDEO FEITO POR ESTUDANTES...
VALE A PENA ESTUDAR A REVOLTA DA CHIBATA.
sábado, 6 de agosto de 2011
CAROLINA MARIA DE JESUS - escritora
Carolina Maria de Jesus nasceu em 1914 em Sacramento, Minas Gerais. Foi criada em diferentes cidades do interior de Minas e de São Paulo. Após da morte da mãe, em 1947, mudou-se para São Paulo, onde trabalhou como empregada doméstica e, depois, como catadora de papel nas ruas. Teve três filhos. Morava na favela do Canindé quando, em 1955, iniciou um diário, do qual alguns fragmentos foram publicados no jornal Folha da Noite (em 1958) e na revista O Cruzeiro (em 1959). Lançado pela Editora Francisco Alves em 1960, o livro Quarto de Despejo vendeu 600 exemplares na noite de autógrafos e foi um enorme sucesso dentro e fora do Brasil. Em 1969 mudou-se para a periferia de São Paulo, onde faleceu em 1977.
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