Mostrando postagens com marcador ELIS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ELIS. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
MULHER BARRIGUDA do Poeta Solano Trindade
Mulher Barriguda
(musicado por João Ricardo dos Secos e Molhados)
Mulher barriguda
Que vai ter menino
Qual é o destino
Que ele vai ter,
Que será ele,
Quando crescer...
Haverá ‘inda guerra?
Tomara que não
Mulher barriguda
Tomara que não...
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
TEM GENTE MORRENDO, ANA
TEM GENTE MORRENDO, ANA
À Ana Montenegro
Tem gente morrendo
No seco Nordeste
Tem gente morrendo
Nas secas estradas
Tem gente morrendo
de fome e de sede
Tem gente morrendo
Ana
Tem gente morrendo
Tem gente morrendo
Nos campos de guerra
Tem gente morrendo
Nos campos de paz
Tem gente morrendo
De escravidão
Tem gente morrendo
Ana
Tem gente morrendo
Tem gente morrendo
De angústia e de medo
Tem gente morrendo
De falta de amor
Tem gente morrendo
De ódio e de dor
Tem gente morrendo
Ana
Tem gente morrendo
Tem gente morrendo
Nas prisões infectas
Tem gente morrendo
Porque quer trabalho
Tem gente morrendo
Pedindo justiça
Tem gente morrendo
Ana
Tem gente morrendo...
Sim Ana
Tem gente morrendo...
Solano Trindade, O POETA DO POVO, pág. 109, Cantos e Prantos Editora, São Paulo, 1999
À Ana Montenegro
Tem gente morrendo
No seco Nordeste
Tem gente morrendo
Nas secas estradas
Tem gente morrendo
de fome e de sede
Tem gente morrendo
Ana
Tem gente morrendo
Tem gente morrendo
Nos campos de guerra
Tem gente morrendo
Nos campos de paz
Tem gente morrendo
De escravidão
Tem gente morrendo
Ana
Tem gente morrendo
Tem gente morrendo
De angústia e de medo
Tem gente morrendo
De falta de amor
Tem gente morrendo
De ódio e de dor
Tem gente morrendo
Ana
Tem gente morrendo
Tem gente morrendo
Nas prisões infectas
Tem gente morrendo
Porque quer trabalho
Tem gente morrendo
Pedindo justiça
Tem gente morrendo
Ana
Tem gente morrendo...
Sim Ana
Tem gente morrendo...
Solano Trindade, O POETA DO POVO, pág. 109, Cantos e Prantos Editora, São Paulo, 1999
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
TEM GENTE COM FOME
Poema Musicado em 1979 pelo grupo Secos e Molhados.
Tem gente com fome (1944)
Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo pra dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Piiiii
Estação de Caxias
de novo a dizer
de novo a correr
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Vigário Geral
Lucas
Cordovil
Brás de Pina
Penha Circular
Estação da Penha
Olaria
Ramos
Bom Sucesso
Carlos Chagas
Triagem, Mauá
trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Tantas caras tristes
querendo chegar
em algum destino
em algum lugar
Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Só nas estações
quando vai parando
lentamente começa a dizer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer
Mas o freio do ar
todo autoritário
manda o trem calar
Psiuuuuuuuuuu
Solano Trindade, CANTARES AO MEU POVO, págs,34 e 35, Editora Brasiliense, São Paulo,1981
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Heróis de Todo Mundo - Solano Trindade
GRAVATA COLORIDA
"Quando eu tiver bastante pão
para meus filhos
para minha amada
pros meus amigos
e pros meus vizinhos
quando eu tiver
livros para ler
então eu comprarei
uma gravata colorida
larga
bonita
e darei um laço perfeito
e ficarei mostrando
a minha gravata colorida
a todos os que gostam
de gente engravatada..."
Solano Trindade, O POETA DO POVO, pág. 89, Cantos e Prantos Editora, São Paulo, 1999
"O VENTO FORTE DO LEVANTE" - um documentário de Rodrigo Dutra sobre o poeta SOLANO TRINDADE

A PRÉ-ESTREIA aconteceu no dia 24/07 no Teatro Popular Solano Trindade - Av. São Paulo, 100 – Centro – Embu das Artes(SP) e no Teatro Raul Cortez - Duque de Caxias (RJ).
Do latim, a palavra Solano significa “O Vento Forte do Levante”, ou como explorou a escola de samba Vai-Vai no carnaval de 1979 “O Vento Forte da África”, ou até mesmo como define Newton Menezes “Vento Forte da África que se sente às vezes na Espanha”. Dessa miríade de traduções o que mais importa é saber que todas correspondem a um único personagem, “forte” na coerência de sua trajetória e como o “vento” volátil na versatilidade de sua arte, eis assim SolanoTrindade, homem negro nascido vinte anos depois do fim oficial da escravidão e que não se curvou diante da opressão de cor, de classe e de cultura.
Fonte:
"A antropofagia do Vento Forte do Levante" - Rodrigo Dutra
Trailer do filme: O VENTO FORTE DO LEVANTE - Solano Trindade
"Pesquisar na fonte e devolver ao povo na forma de arte"
FICHA TÉCNICA Direção, edição e pesquisa: Rodrigo DutraCinegrafismo: Guilherme Zani, Márcio Bertoni, Pablo PabloProdução : Rodrigo Dutra, Antonio Carlos, AnguTV!Trilha original: Michael SexauerMúsica Tema: Luciana SavinaVoz Over : Godot QuincasIntervenção poética : Zinho TrindadeAtor: Amenduim DuimCo-Produção: CRPH-BF, Nibrach, Biblioteca Comunitária Solano Trindade
sábado, 13 de agosto de 2011
MISSÃO DE PESQUISAS FOLCLÓRICAS

ÁUDIO DE MANIFESTAÇÕES POPULARES (Música Tradicional do Norte e Nordeste)
MÚSICA AFRODESCENDENTE
Acho que a proposta de termos um Blog com dicas de textos, livros, sites entre outros, facilita "a partilha" da informação, ou melhor, ajuda a compartilhar um pouco do conhecimento. Sendo assim, é interressante trazer para esse espaço a mémoria das cantorias de terreiros, dos sons dos caboclos, enfim, as manifestações populares imortalizadas pelo trabalho de Mário de Andrade e seus colaboradores. Recomendo o site http://www.sescsp.org.br/sesc/hotsites/missao/index.html
Nesse endereço podemos ver algumas fotos da Missão, imagens, escutar as músicas e ler os textos que estão no encarte do CD.
"Mário já suspeitava que o progresso não tinha memória. Ou melhor, que a memória deixada por ele não era escrita no plural. A memória do singular era aquela do concreto do viaduto, e não as memórias das brincadeiras nos parques, das cantorias dos terreiros, dos desenhos das crianças, dos sons caboclos. Pois é esta memória do íntimo que o interessava, memória das pequenas coisas não utilitárias, não civilizadas- todas elas resíduos orais da cultura, tão breves quanto a existência."
Danilo Santos de Miranda
terça-feira, 9 de agosto de 2011
SOLANO TRINDADE

Solano Trindade é o poeta, pintor, teatrólogo, ator e folclorista da resistência negra, nasceu em Recife, no dia 24 de julho de 1908 e faleceu no dia 19 de fevereiro de 1974 no Rio de Janeiro. Em 1930 começa a compor seus poemas. Entre os seus principais livros publicados Poemas de uma vida simples (1944), está o poema "Tem gente com fome", poema musicado em 1979, pelo grupo Secos e Molhados que o leva à prisão, assim como a apreensão dos seus livros. Em 1936, funda a Frente Negra Pernambucana e o Centro de Cultura Afro-brasileiro, para divulgação dos artistas negros. Em 1954, vem para em São Paulo, cria na cidade de Embu, um pólo de cultura e tradições afro-americanas, e funda o Teatro Popular Brasileiro – TPB, onde desenvolve intensa atividade cultural voltada para o folclore e para a denúncia do racismo.
PARA QUE VIM
Eu vim para cuidar de jardins
plantar coloridas flores
regá-las ao sair do sol
fazer lindos buquês
e ofertá-los
aos deuses
e às mulheres
Mas há ameaça de guerra
e os jardins não sobreviverão ao fogo
então não cuidarei de jardins
não levarei flores aos deuses
nem às mulheres
pregarei a paz.
Solano Trindade, CANTARES AO MEU POVO, pág, 41, Editora Brasiliense, São Paulo,1981
Precisamos da "Poesia" de Solano Trindade?
Quando tenho a sensação de que todo o esforço na educação de nossas crianças é inútil e não encontro "a palavra" que traduza a minha insatisfação no rumo que estamos tomando, diante de tal incapacidade para achar correspondência entre o sentir e o falar, penso na utilidade da literatura e me pergunto: Hoje, nos dias atuais, precisamos da Literatura? Precisamos da "Poesia" de Solano Trindade? Precisamos! Precisamos da literatura, assim como, precisamos da música, do cinema, do teatro, da dança, do futebol; precisamos daquilo que penetre, exponha e traduza a nossa humanidade. Precisamos da poesia no momento em que a “Poesia” é esquecida, precisamos da poesia no momento em que a tecnologia avança e ameaça engolir tudo a sua frente.
Esse esquecimento de coisas e pessoas, é o esquecimento que Solano Trindade nos denuncia no poema "Tem gente com fome", o esquecimento do trem "sujo", esquecimento da população menos favorecida, submetida à degradação e atropelada pela velocidade "da máquina" que não pode parar. No passado, esse mesmo trem já foi o símbolo da modernidade, ligado ao desenvolvimento econômico, tornou possível a comunicação entre lugares distantes e arrastou na década de 30 para as cidades do centro-sul milhares de nordestinos em busca de uma vida melhor. Conduziu os sonhos de dignidade de um migrante de uma cidadezinha perdida do sertão de Pernambuco para uma cidade grande.
Precisamos levar a “Poesia” à escola e denunciar, que há sim, dores na multidão de pessoas, que esquecidas, entram e saem dos vagões dos trens, homens e mulheres que têm fome de respeito, de pão, de justiça e de liberdade. O grito do poeta deve ecoar. Temos que gritar também "SE TEM GENTE COM FOME/ DÁ DE COMER”. Precisamos da sua "Poesia", para que seja possível, ainda que por instantes, o sentimento de esperança na derrota, pelo próprio homem, do tempo da tristeza, e a utopia de um tempo de harmonia entre os homens.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
IMAGENS DE PESSOAS - Seleção da Elis
Na reunião do dia 05 de agosto sugeriu-se a confecção de murais ou banners com imagens de africanos e/ou afrodescendentes.
A Elis enviou algumas imagens que pertencem ao Acervo da Casa das Áfricas.
Cliquem na imagem acima se quiserem conferir todas, são muito lindas mesmo.
Assinar:
Postagens (Atom)